Thursday, November 03, 2005

Tomodati Magazine Edição nº14

Cosplays
Pessoas que se vestem com a roupa de seu personagem de anime, manga, comics, filmes e etc, preferidos

Por Renata Giovanelli


Essa “brincadeira” surgiu nos Estados Unidos nas décadas de 1960 e 1970 com os fãs de Guerra nas estrelas e Jornada nas estrelas, embora as fantasias existam muito antes disso, em festas tradicionais, e principalmente no Halloween. Até mesmo na corrida de São Silvestre, realizada desde 1925 nas ruas de São Paulo, existem as pessoas que se divertem com suas fantasias, tanto que há uma categoria especial para esses corredores.

No contexto de anime e mangá apareceu apenas no evento japones Comiket , o primeiro grande evento do Japão direcionado a anime e mangá, ainda nos anos 80. Inspirado pelas convenções americanas, Nobuyuki Takahashi (um dos fundadores do evento) escrevia matérias incentivando os fãs japoneses a fazer o mesmo com seus animes preferidos.

Depois em 1983, surgia o primeiro grupo de cosplayers, que representaram personagens do anime Urusei Yatsura. No Brasil esse hobbie surgiu há mais de 10 anos após a explosão de Cavaleiros do Zodíaco e foi se popularizar de vez em 1997 durante o primeiro Mangacon.
Devido a grande popularidade, surgiu a Liga Brasileira de Cosplay (LBC) que é uma assessoria sem fins lucrativos que visa o aprimoramento e apoio às empresas que promovem eventos de anime/mangá, comics, RPG, games e afins, além de representa e ajuda os cosplayers.

O que é?

Cosplay significa ao pé da letra "costume play", que traduzido ficaria "fantasiar-se". É um hobby difundido por todo o mundo, e com crescimento constante no Brasil. Não existe idade mínima ou máxima para se fazer um cosplay. Normalmente a maior preocupação é em traduzir semelhanças físicas e psicológicas, da forma mais real possível.

Segundo o coordenador geral do Anime Friends David Denis Lobão, cosplay para algumas pessoas é apenas vestir a fantasia de algum personagem,mas para outras é muito mais do que isso. “Para ser um cosplay não basta apenas vestir uma roupa, mas encarar o personagem”, enfatiza.

Normalmente as pessoas usam nos encontros de fãs as fantasias para passear com os amigos entre o resto do público. “Destes 25% costumam se apresentar no palco em um dos concursos de cosplay”, informa David Lobão.

Eles se reúnem em eventos de cultura pop, no Brasil ganhou popularidade nos de anime e manga onde ocorrem concursos divididos em categorias como individual e grupo. Alguns proíbem personagens não nipônicos de concorrer, outros liberam, cada evento tem suas regras e sua forma de premiação. Além dos concursos de cosplay ocorrem outras atrações como concurso de animekê (karaokê de musicas de animes e games), quiz e outras atividades.

Os concursos

O concurso é um das muitas atrações dos eventos (Anime Fantasy, Ressaca Friends, Anime Dreams, Anime Friends), que atrai muitos espectadores. “Todos os dias mais de quatro mil pessoas assistem pelo menos um dos concursos do evento, que são: Desfile (onde só a qualidade e dificuldade da roupa contam ponto e é só individual misto), Livre (onde só a criatividade, seja da roupa ou da apresentação, contam pontos e é dividido em individual misto e grupo) e Tradicional (onde a fidelidade da roupa e do personagem contam pontos, dividido em individual masculino, individual feminino e grupo)”, revela David Lobão.A ultima edição do Anime Friends, que possui o maior concurso do Brasil, somando seus quatro dias foram mais mil pessoas se apresentando. A edição contou com show internacional, o Oscar da Dublagem e ainda a final do Circuito Cosplay, um concurso onde o que vale é a soma dos pontos de todas as apresentações que os cosplayers já fizeram nos eventos da Yamato de São Paulo no período de um ano, que são: Anime Fantasy, Ressaca Friends, Anime Dreams, Anime Friends. Esses eventos ocorrem ao longo de um ano. No término desse ano, o cosplayer que obtiver o maior número de pontos ganha. “Este ano foi a roteirista Petra Leão, que se consagrou a grande vencedora do evento, levando uma moto de prêmio pra casa”, fala a representante da LBC de Campinas, Cristiane Lameira.

A paixão

Para David Lobão, que já esta há quatro anos quando fez seu primeiro cosplay, um vampiro do filme Um Drink no Inferno para divulgar o DVD de Vampire Princess Miyu do Estúdio Gabia, o envolvimento só aumenta. “No inicio eram roupas simples que eu comprava em camelos do centro como regatas e calças depois foram ficando mais completas, então minha mãe passou a costurar pra mim. Virei um cosplayer de vez, indo fantasiado em muitos eventos e participando de vários grupos e eventos, ganhando como melhor grupo tradicional do Animecon 2005. Hoje em dia sou até o coordenador do Anime Friends e Anime Dreams, trabalhando diretamente com a organização do concurso destes eventos”, conta.

E não foi diferente para Cristiane Lameira que já conhecia o hobbie, mas teve contato direto em 2002 no Animecon e foi paixão a primeira vista. “Me apaixonei e a partir daí comecei a fazer vários projetos. E em janeiro de 2003, fui ao Anime Festival como Lara Croft (Tomb Raider)”, diz.

Hoje Cristiane é Coordenadora do Circuito Cosplay da Yamato e por isso não participa dos concursos, mas nem por isso deixou a paixão de lado. “Tenho duas personagens favoritas, a Arashi Kishu (X-1999) e a Rei Ayanami (Evangelion), ambas eu já fiz cosplay. Mas tenho várias outras personagens. Ao todo tenho 14 cosplays. Virar o personagem vestir roupas diferentes, usar acessórios, maquiagens, é muito gostoso, você pode "deixar de ser quem você" é e viver uma fantasia”, comenta.

Hobby Caro

A transformação em um cosplay pode não sair barato. Depende do tipo de roupa e acessórios alguns chegam a desembolsar mil reais em suas fantasias. “Eu tenho um amigo que já ganhou vários concursos e suas roupas não passaram do custo total de R$ 30,00, agora conheço outras pessoas que já gastaram mais de R$ 1.000,00 entre tecidos, lentes de contato, perucas, etc. O cosplayer tem que ser criativo. Ele busca os mais variados tecidos, materiais, para confeccionar de melhor forma sua roupa”, revela Cristiane Lameira.

Preconceito

Apesar de ter uma legião de fãns ainda ocorre um certo preconceito em relação aos cosplays. A falta de informação é um dos aliados para esses amantes de anime/manga. Segundo Cristine muitos não levam a serio porque acham que é coisa de criança, mas ao contrário do que se pode imaginar, grande parte dessas pessoas é maior de idade, estuda e trabalha. Além disso eles tem sua vida própria, com objetivos como qualquer pessoa. “Muitos acham que cosplay e anime é coisa de criança, assim como muita gente acha que Harry Potter é bruxaria. Se as pessoas realmente soubessem o que é, veriam que não tem nada de mal, muito pelo contrário, não conheço uma pessoa que não tenha se divertido de forma saudável fazendo um cosplay”, finaliza.

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SHOYU

Conhecido há pelo menos 2.246 anos, o molho de soja vai muito além dos sushis e sashimis

Por Renata Giovanelli


O molho de soja é um líquido escuro obtido da fermentação de soja com trigo ou outro cereal que contenha amido. De sabor salgado, com um característico e agradável aroma de extratos de carne, o shoyu é usado como flavorizante (intensificador de sabor e aroma dos alimentos) ou componente nutritivo em muitos países orientais - como Japão, Coréia, Cingapura, China, Tailândia, Filipinas, Indonésia e Malásia - para substituir o sal.

História

A idéia partiu dos chineses, que desenvolveram um molho rudimentar chamado de “Hishio”, feito à base de grãos mofados, para preservar os alimentos durante o transporte. Embora a soja seja cultivada na China há pelo menos 3.500 anos, seu molho é uma invenção mais recente. Surgiu entre 1.134 a.C e 246 a.C, durante a dinastia Zhou.

No século 13, enquanto estudava na China, um monge zen japonês entrou em contato com esses hábitos e, de volta ao Japão, disseminou a técnica de fermentar grãos com sal. A partir daí o Japão desenvolveu seu próprio molho shoyu. A pasta sólida deu origem a dois produtos: o líquido (shoyu) e o sólido (missô). Mas foi só no final do século 16 que o condimento passou a ser produzido em larga escala e comercializado, e que também recebeu o nome de shoyu. “O molho passou a ser feito com grãos de soja combinados aos de trigo, milho ou feijão (que suavizam seu sabor e conferem paladar levemente adocicado), água e sal. Seu principal segredo, desde o início, consiste na fermentação, processo que leva no mínimo seis meses e passa por diferentes etapas”, conta o vice-presidente da Indústria Agrícola Tozan Ltda, Sr. Hideyuki Ozaki, em entrevista à Tomodati Magazine.

Mas engana-se quem imagina que o shoyu só chegou ao ocidente recentemente. No século 17, os holandeses descobriram os encantos do molho escuro e o levou para a Europa, chamando-o de "soy". Os hábitos do uso cotidiano do molho de soja foram trazidos ao Brasil pelos imigrantes japoneses durante os primeiros anos do século 20. O produto era basicamente fabricado por cada família em sua própria casa. Durante a década de 1940 é que começou a industrialização do produto. “O hábito de usar shoyu na cozinha é passado de geração para geração, e a cada mudança é incorporado de maneiras diferentes”, revela a dona-de-casa Kimiko Toma, que freqüentemente utiliza o molho em sua comida.

Até 1970 o molho de soja shoyu era um produto utilizado predominantemente pelos orientais. Com o boom da culinária japonesa no mundo e também nos grandes centros brasileiros, o molho foi ganhando espaço. “Tanto o molho de soja shoyu como o missô, ganharam espaço no mercado de consumo como alternativas para tempero de saladas e outros pratos típicos da culinária brasileira”, informa o diretor industrial da Sakura Nakaya Alimentos, Paulo Takahashi.

Tipos de molho

De acordo com as produtoras, existem basicamente dois tipos de fabricação do molho de soja. Os que são produzidos por meio de fermentação natural e os que são produzidos pelo processo de hidrólise ácida da soja. Os molhos de soja de fermentação natural são produzidos a partir da soja e outro cereal e levam mais de seis meses para completar todo o ciclo de fermentação. O resultado é um produto harmonioso, com aroma e sabor característicos e importantes propriedades nutritivas.

Já aqueles produzidos por meio de hidrólise da soja são fabricados em processos cuja quebra das cadeias de proteínas se faz artificialmente, pela presença de um ácido, sob determinadas condições de pressão e temperatura.

Produção

A tecnologia de fermentação de molho de soja, como de outras fermentações tradicionais, foi primeiramente uma arte familiar guardada a sete chaves. Atualmente, os importantes passos não são mais segredo, mas os delicados ainda são informações confidenciais.

Mesmo onde o método de fermentação ainda é usado, hidrolisados (composto que reage com a água) de soja são acrescentados ao produto fermentado como intensificadores de sabor. Assim, o molho de soja é feito pela fermentação da soja, cereais (geralmente trigo) e sal com uma mistura de bolores, leveduras e bactérias. A fermentação é essencialmente um processo de hidrólise enzimática de proteínas, carboidratos e outros constituintes da soja e trigo para peptídeos, aminoácidos, açucares, álcool e outros.

Os países orientais são os maiores produtores do molho de soja, sendo o Japão considerado o líder em termos de número de produtores, consumo do produto e utilização da mais avançada tecnologia. De acordo com a Japan Agricultural Standard (JAS), existem cinco tipos de molho de soja, cada qual subdividido em três graduações (especial, superior e padrão), dependendo da avaliação analítica e organoléptica
- das propriedades que possuem os corpos de impressionar os sentidos - são eles: Koikuchi, Usukuchi, Tamari, Shiro e Saishikomi. “O segredo para se fazer um bom shoyu é sempre levar em consideração os seguintes sentidos humanos: paladar, olfato e a visão”, revela Ozaki.

No Brasil, o molho passou por uma adaptação para agradar o paladar tanto dos orientais como dos brasileiros. “No molho shoyu brasileiro, foram feitas adaptações no sabor, na textura e na cor para agradar o paladar tanto do consumidor oriental - residente no Brasil e já acostumado ao molho de soja - quanto os consumidores brasileiros em geral”, diz Paulo Takahashi.

Uso

O molho é mais utilizado na cozinha como tempero, mas segundo Kimiko Toma também pode ter outras funções, como a de dar cor aos alimentos. “Uso direto o shoyu, no molho de tomate de macarrão, para dar mais cor, além de, claro, realçar o sabor”, revela Kimiko.

Segundo o Sr. Hideyuki Ozaki, o brasileiro ainda não tem o costume de utilizar o shoyu habitualmente, mas ele pode substituir o sal na maioria dos pratos brasileiros. “Na Fazenda Tozan testamos muitas receitas com arroz carreteiro, feijão tropeiro, diversas carnes para churrasco e até sobremesas”, revela o nikkey.

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