Thursday, November 03, 2005

Tomodati Magazine Edição nº10

COMO MANDA O FIGURINO

Um dos aspectos indispensáveis da cultura japonesa é o uso da boa etiqueta na hora de comer. Conheça alguns dos bons modos que devem fazer parte da sua refeição.

Por Renata Giovanelli

Os japoneses têm suas regras de etiqueta, inclusive no momento da refeição. Para esclarecer as dúvidas dessa cultura milenar, a Tomodati Magazine conversou com a nissei Marilha Elli Maruyama. Com um conhecimento de mais de 30 anos de profissão, Marilha também é tradutora e, desde 2002, dá aulas na Prática de Formação da PUC-Campinas. Abaixo, seguem algumas regras básicas que a professora destaca na entrevista.

Colocando a mesa

Para preparar um jantar tipicamente japonês alguns detalhes importantes devem ser seguidos. Os recipientes (tchawan) têm lugar certo na mesa. À direita do visitante deve ser colocado o tchawan com a sopa, o missô; à esquerda é colocado o recipiente com o arroz, e em frente a este se coloca o aparta talheres, ou hashiok. Além do arroz e do missô, outras três guarnições são servidas e colocadas atrás destes. Se os recipientes tiverem um desenho (de enfeite), eles devem ser arrumados de forma que fiquem de frente para cada pessoa, e não de forma desordenada. “Essa disposição é para não quebrar a harmonia com a natureza. Primeiro deve-se comer com os olhos e por isso a disposição é muito importante”, revela a professora.

O hashi

Há dois tipos de hashi, o de uma ponta (que é o mais comum) e o de duas pontas, uma para comer e outra para pegar as misturas. “O de duas pontas é mais utilizado em grandes festas, com petiscos. Em vez de trocar toda vez o hashi e só virá-lo”, explica Marilha. Uma dica importante é, quando a mesa não tem o hashioki, deve-se utilizar o próprio papel que envolve o hashi para apoiá-lo. Para isso, cada um faz uma dobradura como se fosse um nó e, ao terminar de utilizar o hashi, é só esconder a parte suja no meio do nó. Além disso, o hashi deve ser separado na horizontal e não na vertical, com um movimento suave. "Nunca se deve gesticular com o hashi na mão e muito menos espetá-lo no arroz ou em qualquer outro alimento”, informa Maruyama.

O oshibori

Aquela toalhinha que o garçom traz logo que os clientes chegam, o oshibori, é para limpar as mãos, assim que se sentam à mesa. Segundo a professora, a função do oshibori está ligada somente às mãos. “Como os japoneses não têm o costume de lavar as mãos, o oshibori serve para assepsia, e não para limpar o rosto como muitas pessoas fazem”, conta. Após utilizado, o oshibori deve ser dobrado em quatro e colocado na bandeja novamente para o garçom recolher.

Ordem dos pratos

Ao começar o jantar japonês, Marília afirma que deve-se tomar a sopa (missoshiro) para limpar a garganta e aguçar o paladar de outros pratos. Ao colocar o tchawan de sopa à mesa, a tampa deve estar parcialmente aberta na direção da visita, pois quando ela for levantar a tampa, o aroma irá em sua direção. O missoshiro deve ser levado à boca com as duas mãos. No caso do lamen - que contém ingredientes sólidos, como tofu - os hashis podem auxiliar. Quando terminar a sopa só se deve tampar o recipiente quando ele estiver completamente vazio; caso contrário a pessoa deve deixar a tampa semi-aberta para a direita. “Assim o garçom sabe que há alguma coisa dentro e não corre o risco de derramar”, esclarece Marilha.

Outro detalhe importante é trazer o recipiente até você e não ir até ele. “Com a mão esquerda você pega o recipiente e com a direita você come com o hashi. Quando for um sushi ou sashimi, você traz o recipiente de shoyu ou coloca mão em baixo”, informa.

Barulho

Segundo a professora de cultura japonesa fazer barulho ao tomar sopa, ou ao comer macarrão, não é aconselhado. “Os japoneses têm esse costume porque geralmente os alimentos estão muito quentes e eles fazem barulho para evitarem de queimar a boca. Mas isso não é correto pois o ideal é comer o mais silencioso possível”, garante. Marília também ressalta que um dos grandes segredos dos japoneses para a longevidade está na alimentação e na harmonia que envolve esse momento. “O alimento deve aguçar todos os sentidos, sendo cheiroso, saboroso, colorido, enfim, tudo o que for possível para se apreciar a alimentação”, finaliza.

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Asma Brônquica

Crescente a cada ano, essa doença é grave e atinge toda a população mundial

Por Renata Giovanelli

A asma brônquica é um distúrbio inflamatório crônico dos pulmões caracterizado por chiado, falta de ar, opressão torácica e tosse. Com a estimativa de que 100 milhões de pessoas em todo o mundo sofram com o distúrbio, a asma crônica costuma surgir nos dois primeiros anos de vida, e tem maior incidência em crianças com menos de nove meses. Mas os adultos também podem sofrer do mal e, embora o número de casos aumente no inverno e no início da primavera, não se deve subestimar a probabilidade da doença no verão.

Popularmente conhecida como bronquite, o distúrbio é por vezes uma doença grave e potencialmente fatal. Apesar dos esforços para reduzir a morbidade e a mortalidade associadas à asma, a doença parece estar em ascensão, especialmente entre crianças. Mas embora não haja cura, a asma pode ser controlada, permitindo que a maioria das pessoas leve uma vida produtiva normal.


Além dos hábitos de vida saudável, as pessoas que sofrem desse mal devem evitar ficar expostas aos alergênios. “Geralmente essas pessoas têm alergia à poeira, alguns tipos de perfume, fumaça de cigarro, entre outros, e se forem expostas a eles podem resultar em crises”, informa o pneumologista Dr. Pedro Pires de Campos Neto.

Sintomas

A respiração difícil, tosse persistente, dor no peito, febre, expectoração e sensação de angústia por falta de ar são as principais características. Essa situação pode ser agravada pelos fatores psicológicos. Ou seja, ao iniciar a manifestação de um ataque, a própria ansiedade pode ajudar no desenvolvimento da crise.

Cura

A asma não tem cura. Ou seja, as pessoas suscetíveis mantendo os bons hábitos, podem viver como se não tivessem a doença, mas é preciso tomar cuidado para não ficar exposto e manifestar uma crise. “É como se as bactérias ficassem em estado latente nas vias aéreas do indivíduo. Portanto, o melhor tratamento é a prevenção”, conta Dr. Pedro.
Além de evitar os fatores desencadeantes da asma, a medicação pode ser essencial para controlar a natureza crônica e episódica da asma. “A cada ano surgem novos medicamentos com efeitos colaterais menores, o que ajuda e muito os pacientes. Os remédios servem para que as crises sejam cada vez menores”, diz o pneumologista.

Bronquite Aguda

A bronquite aguda é uma doença respiratória aguda, com tosse intensa e prolongada, que persiste por mais tempo após o desaparecimento dos outros sintomas respiratórios. A doença pode tornar a árvore brônquica mais sensível ao ar frio e a poluentes como a fumaça do cigarro, fazendo com que o indivíduo tenha tosse intensa quando se defronta com tais situações.

Dr. Pedro explica que esta é uma doença que ocorre mais no inverno. Ela é quase sempre causada por viroses que atacam a mucosa (camada interna) dos brônquios, causando a infecção. “Na maioria das vezes, as mesmas viroses que causam resfriados, causam a bronquite aguda”, informa o pneumologista.

A maioria dos casos de bronquite aguda resolve-se por si própria no decorrer de poucos dias ou em uma semana. “O que geralmente se utiliza nesses casos é medicamento para melhorar a tosse e o desconforto respiratório. Também é importante lembrar que a cessação do fumo torna a cura mais rápida”, revela Dr. Pedro Pires de Campos Neto.

Fisioterapia

A fisioterapia respiratória é uma especialidade que atua tanto na prevenção quanto no tratamento das pneumopatias, visando a reabilitação pulmonar em diversas patologias do aparelho respiratório, melhorando a condição física de paciente com asma brônquica, bronquiolite, pneumonia, entre outras.

A técnica é aplicada através de manobras específicas. “Trata-se de uma reeducação respiratória pode ser feita através de exercícios e padrões respiratórios, para assim, prevenir futuras complicações”, informa a fisioterapeuta Paola Bombassaro.

As sessões duram em torno de 30 a 45 minutos uma ou duas vezes por semana, podendo a chegar a mais vezes dependendo do grau da patologia.

Os resultados são imediatos principalmente quando o paciente apresenta muita secreção e/ou siilos (chiado), mas a fisioterapia pode até se tornar constante na vida do paciente crônico. “A fisioterapia respiratória auxilia o tratamento medicamentoso (médico) e pode ser considerada complementar ou alternativo”, diz a fisioterapeuta.

Atividade Física

A doença por si só não impede boas performances. De um modo geral Qualquer atividade física é importante. Entretanto, durante as crises, nenhuma atividade física deve ser praticada.

Os exercícios físicos para os asmáticos, funcionam como remédio tendo como uma de suas características principais o aumento da ventilação nos alvéolos facilitando a passagem do ar mantendo todo a aparelho respiratório em bom estado. “A atividade física é muito importante para melhorar a qualidade de vida dos pacientes, fortalecendo as vias respiratórias todos, não a penas para as pessoas que tem bronquite, para elas é essencial”, finaliza Dr. Pedro.

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TRADIÇÃO PRESERVADA

Pouca gente sabe, mas nikkeys de Campinas praticam o chamado Sumô de Okinawa, muito diferente da luta tradicional que conhecemos

Por Renata Giovanelli

A origem do sumô confunde-se com a própria origem mitológica do Japão. Os registros indicam que o sumô nasceu há pelo menos dois mil anos atrás. Ainda hoje a prática do sumô conserva e preserva valores e conceitos fundamentais através dos ritos de abertura, apresentação de seus lutadores, simbolismo do sal, da água, dos cumprimentos e reverências, entre outros signos que cercam essa manifestação cultural.

Dois estilos

Existem dois tipos de sumô: o de Okinawa e o tradicional japonês, que é o mais conhecido. Embora ambos utilizem uma arena circular para os combates, há vários aspectos diferentes. O “sumô de Okinawa” exige a utilização de uniformes pelos atletas. “Usamos um kimono que é semelhante ao do judô, ao invés de usar tangas como é no sumô tradicional”, conta o lutador e comerciante, Nivaldo Kinjo, que pratica sumô de Okinawa há 23 anos e hoje também é treinador da equipe de Campinas.

Nivaldo explica que o sumô de Okinawa é considerado um esporte com índice de acidentes baixo perante os outros, principalmente em comparação com o estilo tradicional. “Isso se deve ao local da luta. No nosso estilo a arena onde ocorre a luta é forrada com areia branca, que é mais fofa, amortecendo a queda, diferentemente do sumô tradicional, onde a areia é batida e em um nível mais alto do chão”, informa.

As regras também são diferentes. Vence aquele lutador que conseguir aplicar os golpes e derrubar o oponente de costas dentro do limite da área de luta. Os competidores se seguram simultaneamente em uma faixa que é diferenciada pelas cores vermelha e branca que ficam amarradas na cintura de cada competidor. As cores remetem a bandeira do Japão, que é branca e vermelha.

No Brasil e em Campinas

O sumô chegou ao Brasil com os imigrantes japoneses no início do século 20. O primeiro campeonato do sumô tradicional do Japão foi realizado na colônia de Guatapará, no interior paulista, em 1914. Em 1962, foi criada a Federação Paulista de Sumô, e em 1998, a Confederação Brasileira de Sumô. Em 2000, o Brasil sediou o Campeonato Mundial no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Foi a primeira vez que o torneio foi disputado fora do Japão. O sumô de Okinawa veio junto com os imigrantes dessa ilha japonesa. Ele começou a ser praticado como uma forma de manter a cultura, hábitos, costumes e o convívio com as pessoas da terra natal, mantendo assim a tradição e a memória.

A Associação Okinawa Kenjin de Campinas vem desenvolvendo trabalhos de divulgação do sumô de Okinawa, que é um esporte pouco conhecido, tanto para os descendentes como os não-descendentes. A equipe de Campinas está se preparando para a seletiva que vai ocorrer em setembro, envolvendo todas as associações Okinawa Kenjin do Brasil. A seletiva vai selecionar atletas para participar do mais importante festival de Okinawa no Japão, que é em outubro. No ano passado a equipe de Campinas participou do Campeonato Internacional de Sumô de Okinawa, que foi realizado na Bolívia para comemoração dos 50 anos da colônia okinawana desse país. A equipe trouxe premiações nas oito categorias que participou.

Hoje a equipe é formada por 60% de jovens. “Os ensinamentos começam aos 12 anos de idade, com as técnicas, regras, aplicações dos golpes e a prática”, finaliza o professor.

Serviço

Sumô de Okinawa
Todo domingo, às 16h, no Okinawa
Informações: (19) 3242-9022

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