Cabelos Brancos
O que fazer quando eles começam a aparecer
Por Renata Giovanelli
Há quem ache charmoso. Na cultura oriental, significa sabedoria e respeito. Para outros, é sinal de envelhecimento. Os cabelos brancos são mais bem aceitos pelo sexo masculino, e geralmente muito mal aceitos pelo sexo feminino. E quando surgem os temíveis fios brancos, a maioria das mulheres corre para tingi-los.
O cabelo tem o seu próprio ciclo de vida, e por isso também envelhece. Assim como ocorre com a pele, a cor do cabelo é definida por um pigmento chamado melanina. Ele é fabricado por células chamadas melanócitos, que se localizam nas paredes do folículo piloso e do bulbo que envolve a raiz do pêlo. Para que os melanócitos possam produzir o pigmento, entra em ação a enzima tirosinase.
Segundo a dermatologista Sandra Tagliolatto, quando há alguma falha na produção dessa enzima os novos fios nascem sem cor. “O processo de envelhecimento atinge os vasos capilares, fazendo com que eles percam a capacidade de levar os nutrientes necessários para a produção de melanina", esclarece.
De acordo com dados da Oxford Hair Foundation, entidade inglesa de estudos sobre o cabelo, aos 50 anos, metade da população em geral tem pelo menos 50% de fios brancos. O processo costuma começar entre os 30 e 40 anos, mas com os jovens também existe a possibilidade de perda na pigmentação dos cabelos.
Nesses estudos foi observado que a velocidade de embranquecimento dos fios era diferente nas raças. Aos 45 anos, 80% dos brancos já têm fios brancos. Entre os orientais cerca de 80% apresenta cabelos grisalhos aos 50 anos. Já entre os negros, a mesma proporção da população só tem cabelos brancos aos 55 anos.
Arrancando os cabelos
Cientistas já (literalmente) arrancaram os próprios cabelos para investigar os fios brancos. "Até hoje a medicina não explica 100% deste fenômeno", diz a dermatologista. Fatores genéticos e hereditariedade podem ser o estopim do processo de embranquecimento. Além disso, estudos recentes mostraram que o fumo e os diabetes, por alterarem a irrigação da raiz, também podem levar ao embranquecimento.
Segundo a Dra. Sandra, o mito de que o estresse causa o cabelo branco surgiu quando a rainha Maria Antonieta foi condenada à morte, na Revolução Francesa, em 1789. “Nessa época os ricos pintavam os cabelos, mas como ela passou um ano na cadeia não pôde fazê-lo. Quando ela saiu (para a sua sentença, que era a decapitação) as pessoas se assustaram ao vê-la com os cabelos brancos, e acabaram associando com o estresse que ela havia passado”, conta a dermatologista.
Tintas
A única saída para quem não é feliz com os fios brancos é a tinta. Dra. Sandra afirma que os produtos via oral que prometem tonificar o cabelo ainda têm resultados desanimadores. “Infelizmente, não há tratamento para evitar o nascimento dos fios brancos, o que se pode fazer é tomar algumas vitaminas e antioxidantes para prevenir. Mas para camuflar, a única saída é a tintura”, revela.
A dermatologista também fala que, ao contrário do que se imagina, os cabelos brancos são muito resistentes, mas nem por isso as pessoas devem deixar de lado alguns cuidados especiais. “É necessário proteger esses fios para que não fiquem amarelados, o que deixa um aspecto desleixado. Para evitar esse aspecto desleixado, é recomendado o uso de xampus especiais, encontrados em supermercados”, informa.
Mitos mais comuns
Conheça os mitos que mais envolvem o cotidiano das pessoas, quando o assunto é cabelos brancos.
Durante a gravidez aparecem mais fios brancos
MITO. A alteração hormonal deste período não causa o aumento dos fios brancos. Ao contrário, pode até melhorar a qualidade do cabelo, mesmo que temporariamente.
Ao arrancar um fio branco, outros dois nascem no lugar
MITO. Os fios brancos nascem gradativamente. "Não há nenhuma evidência científica que confirme, é apenas uma lenda”, garante Dra. Sandra.
O cabelo grisalho é mais frágil
MITO. A aparência pode até ser de fragilidade, reforçada pela idéia de que o idoso é mais fraco, mas o fio branco, ao contrário do que parece, é bastante resistente. Ele também é mais resistente a quedas. Um fio branco pode ter vida útil de até sete anos.
Cuidados ao tingir
Para colorir os cabelos brancos com uniformidade é muito importante o trabalho de um bom profissional. "Nem todas as cores pegam bem nos brancos", informa o cabeleireiro Xuxa, do Seiryu Hair Make-Up. Além de dominar a técnica, vários procedimentos devem ser analisados antes de passar alguma coisa no cabelo.
Quando começa a aparecer alguns fios brancos a alternativa para quem não quer tingir é fazer mechas ou usar um tonalizante. Mas para quem tem mais de 30% de fios brancos, a coloração permanente é a solução. “Com ela você cobre todos os cabelos brancos; as mechas e o tonalizante vão só disfarçar”, diz Xuxa.
Hoje já tem no mercado a tinta branca, para aqueles que querem deixar ao natural, igual à atriz Glória Menezes. “A tinta não clareia o cabelo, só da um brilho, uma coloração prata ao cabelo branco, eliminando o tom amarelado”, revela o cabeleireiro.
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Missô
Por Renata Giovanelli
A soja chegou ao Japão (por volta do século 06 d.C.) oriunda da China - que já consumia o produto desde o século 11 a.C. - depois de ter passado pela Coréia. Já o missô (pasta com mistura de soja, arroz e milho) faz parte das variações criadas pelos próprios japoneses, junto com o molho shoyo e tofu. A pasta é ingrediente principal no missoshiru (caldo de soja) e costuma ser o tempero predileto para a carne de porco (sumissô). No Japão do Período Edo (1603-1868), os produtos à base de soja eram tão consumidos que criaram o seguinte provérbio: “Ao invés de pagar um médico, pague missô-ya (venda de missô)”. Hoje, até mesmo no Brasil os produtos à base de soja estão em alta por causa de seus elementos benéficos à saúde, auxiliando na prevenção de câncer e osteoporose.
O primeiro país ocidental a utilizar a soja foi a Inglaterra, em 1908, e, na América, o produto começou a ser consumido por volta de 1924. Com a ocidentalização da alimentação ocorrida no pós-guerra, o consumo de missô diminuiu muito no Japão. Mesmo assim, a produção anual é de 526 mil toneladas, com faturamento de 160 trilhões de ienes. A província de Nagano é responsável pela produção de 40%, seguida de Aomori, Niigata e Aichi. Cada japonês consome em média 4,3 kg de missô por ano (estatística do ano de 2001). Já as exportações do produto aumentaram depois dele ter sido rotulado nos Estados Unidos como alimentação benéfica à saúde. Hoje, cerca de 2.500 toneladas são exportadas por ano. No Brasil, a industria Tozan, que está há 70 anos em Campinas, produz em média 7 mil Kg da pasta de missô, que dá origem à sopa.
Os benefícios
Segundo a nutricionista Claudia Nakaza, a soja é considerada um alimento funcional porque além de funções nutricionais básicas, produz efeitos benéficos à saúde, reduzindo os riscos de algumas doenças crônicas e degenerativas. “Ela é rica em proteínas de boa qualidade, possui ácidos graxos poliinsaturados e compostos fitoquímicos como: isoflavonas, saponinas, fitatos, dentre outros. Também é uma excelente fonte de minerais”, conta.
Cláudia explica que, de acordo com pesquisas, essas isoflavonas da soja reduzem os riscos de alguns tipos de câncer, como o de mama, colo do útero e próstata. Também são recomendadas na tensão pré-mestrual, no alívio dos sintomas indesejáveis da menopausa e na prevenção da osteoporose. “Ela controla os níveis de colesterol e triglicérides reduzindo, assim, os riscos de enfarto, trombose, aterosclerose e acidentes vasculares cerebrais (AVC)”, informa a nutricionista.
Os tipos
Conforme o tipo de matéria básica temos o mame-miso, feito somente de soja, ou kome/mugi-miso em que se mistura arroz ou trigo à soja. O processo de produção é praticamente o mesmo.
Há dois tipos de missô, o adocicado vermelho ou branco, e o salgado vermelho e branco. No Japão, cada região tem o seu missô tradicional, como o Shinshu missô da província de Nagano, por exemplo, o Sendai missô, da província de Miyagi e o Shingen missô, da província de Yamanashi.
Como degustar
Segundo Roberto Moriya, proprietário do Yaki-Ten Restaurante & Eventos, apesar da base ser sempre a mesma, é possível fazer variações do prato. “Você pode acrescentar à soja diversos ingredientes de sua preferência, legumes e até frutos da época”, diz.
Moriya garante que a sopa pode ser servida no café da manhã, no almoço ou no jantar e que algumas de suas variações são o missô com shijimi (pequenos mariscos), com tofu e algas marinhas, frango com espinafre, ovo com cogumelo (shitake), mariscos com cebolinha, e muitos outros. “A escolha varia com o gosto de cada pessoa, pois no restaurante, por exemplo, servimos o missô com algas, cebolinha e tofu”, revela Moriya.
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