Thursday, September 21, 2006

Revista Femme nº01

Multifuncionais

A jornada feminina não é fácil. É preciso ter muito “jeitinho” pra driblar a correria do dia-a-dia. Veja como essas mulheres conseguiram conciliar a família feliz com uma carreira de sucesso!


Por Renata Giovanelli

Mulher filha, mulher esposa, mulher mãe, mulher profissional. Seja qual for a atuação, o esforço é inevitável. E não é fácil. Durante décadas a mulher foi exclusivamente “a rainha do lar”, onde dedicava a sua vida ao trabalho doméstico, educação dos filhos e os cuidados com o marido. Os tempos mudaram. A mulher moderna passa maior parte do seu tempo fora de casa e, mesmo assim, consegue administrar seu lar a longa distância. Quando o “sexo frágil” decidiu sair às ruas em busca da igualdade, sabiam que para conseguir seu espaço no mercado de trabalho teriam de percorrer um longo caminho e romper muitas barreiras. A primeira foi a do preconceito.

Pesquisas mostram que a participação da mulher no mercado é um número em constante crescimento. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada da Universidade de São Paulo (IPEA/USP), as mulheres já são 38% do total de médicos, 36% dos advogados, juízes e promotores e mais da metade (53,5%) dos arquitetos do país. As trabalhadoras ganharam espaço até mesmo nos redutos mais masculinos, como as linhas de montagem de montadoras, metalúrgicas e indústrias químicas. Entre 1985 e 1997, a presença das mulheres neste setor cresceu 1,3% ao ano. Já nos cargos de chefia, só nos últimos dois anos aumentou em 30% o número de mulheres atuantes, com destaque nas áreas de gerência de marketing, setores administrativos, recursos humanos e telemarketing. Além disso, nos anos 90, a proporção de mulheres entre os brasileiros com trabalho nos seis principais centros urbanos aumentou de 38,04% para 40,88%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, só no ano passado, 67 mil mulheres entraram no mercado de trabalho, o que representa um acréscimo de 9,6% à População Economicamente Ativa (PEA).

Razão e Sensibilidade

Trabalhar com uma mulher pode ter muitas vantagens. Elas são mais intuitivas, procuram manter relações interpessoais com seus subordinados e quando estão no comando sabem usar a palavra certa, no momento certo. As pesquisas de liderança mostram que elas já superam os resultados obtidos pelos homens no mundo dos negócios, pois têm mais habilidade de lidar com sistemas onde não existem hierarquias, numa época em que organizações horizontalizadas se tornam cada vez mais comuns.

Esse mundo é retratado cada vez mais nos nossos dias. Prova disso é o recente sucesso do seriado norte-americano "Sexy and The City" e de livros no estilo "Bridget Jones". Todos mostram mulheres que alcançaram sucesso profissional, tornando-se brilhantes executivas, mas que, no entanto, ainda sonham em encontrar o príncipe encantado.

Esse é um dos sonhos da cirurgiã plástica Dr. Kátia Haranaka, de 37 anos, que, dona de conceituada carreira e sucesso, espera encontrar sua alma gêmea. Com uma cartela de 12 mil pacientes - que inclui a amiga pessoal Elba Ramalho e muitas primeiras-damas da região - a médica, que atende cerca de 100 pessoas por dia, sente dificuldade de encontrar um parceiro que aceite seu ritmo de vida. “Absolutamente todos os meus compromissos são agendados, inclusive sair para namorar, e muitos homens não sabem lidar com esse destaque profissional ou a minha independência. Mesmo assim, ainda espero encontrar esse companheiro”, conta. Famosa não só em Campinas, mas como por todo o Brasil, a cirurgiã divide a correria de sua vida profissional com as duas filhas, de 06 e 08 anos de idade. “No começo não foi fácil, mas o tempo foi ficando cada vez mais curto e tive que me adaptar com a rotina de só vê-las no período da noite. Todos os dias elas me esperam pra gente poder conversar”, revela.

Persistência e Compreensão

Abrir uma empresa não é nada fácil e exige uma dedicação ilimitada, capaz de deixar, temporariamente, a família em segundo plano. Foi exatamente o que aconteceu com a empresária Geisa Dulce Costa, de 44 anos. Há oito anos ela e o marido montaram a empresa Ledluz, hoje umas das mais conceituadas empresas de iluminação de ambiente em Campinas. “Meu marido trabalhava na área há 24 anos e havia perdido o emprego, então resolvemos juntar forças. Eu nunca tinha trabalhado fora antes, foi uma mudança bem grande na minha vida”, conta.

Apesar de não ter curso superior, Geisa conta que não foi difícil aprender a comandar a empresa, e hoje é a diretora financeira. “Meu marido ficou com a parte das compras e eu com as contas, mas não foi fácil, no começo tive que abrir mão de muitas coisas, já que trabalhava 14 horas por dia, sem finais de semana e nem feriados”, lembra.

A empresária garante que mesmo com o volume grande trabalho, sua maior dificuldade foi ter que deixar a filha mais nova, na época com 10 anos, em casa. “Ela estava acostumada comigo e de repente eu não podia mais estar presente 24 horas. Ela teve que se acostumar a me dividir com a empresa e me machucou muito, mas aquele esforço era necessário para construir uma nova vida”.

Dedicação e Equilíbrio

Afastar-se dos filhos também é a principal preocupação da doutora Lara Andréa Crivelaro Bezzon que, aos 35 anos, tem três filhos, um de 06 e dois meninos, gêmeos, de 03 anos de idade. “O difícil é conciliar a família, os filhos e a carreira. É o que venho tentando, o que me ajuda bastante é saber que posso contar com o meu marido”, confessa.

Dr. Lara é formada em Ciências Sociais pela Unicamp, e realizou Mestrado e Doutorado em Sociologia. Entre 1992 e 1995, ela participou de pesquisas desenvolvidas pelo CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e NUPES (Núcleo de Pesquisas sobre Ensino Superior) na USP, período em que Lara pôde trabalhar com a Dra. Ruth Cardoso, esposa do ex-presidente da república Fernando Henrique Cardoso (1994-2000). “Foi muito gratificante trabalhar com ela. Pude acompanhar sua transformação em primeira dama do país e fiz dela meu grande exemplo de mulher que concilia compromissos profissionais e família”, conta.

Apaixonada por pesquisas e estudos, Lara assumiu, em 2001, a coordenação do curso de Publicidade e Propaganda na UNIP de Campinas, e desde 2002 é Coordenadora Geral da Pós-Graduação da Metrocamp, em Campinas. “A mulher tem uma sensibilidade tão grande que é capaz de assumir uma vida cheia de correria e problemas sem afetar o carinho e a satisfação de ser mãe e esposa. É disso que as empresas precisam, é disso que todos precisam”, finaliza.

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