Friday, September 22, 2006

Revista Femme nº04

Show de Vitalidade

A idade é uma mera cotijuvante na história de vida dessas mulheres

Por Renata Giovanelli

Elas estudaram, trabalharam, casaram, criaram filhos e tiveram direito à aposentadoria. Cada uma a seu modo vivenciou o mundo e sobreviveu a ele. Fecharam um ciclo da vida e iniciaram outro, com uma vitalidade de impressionar.

E para homenagear essa parte da população que cresce a cada ano, foi estabelecido em 1999 pela Comissão do Senado Federal o dia nacional do idoso (27/09). Que hoje são 14,5 milhões de pessoas, 8,6% da população total do Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo 2000.

O envelhecimento da população brasileira é reflexo do aumento da expectativa de vida, devido ao avanço no campo da saúde e à redução da taxa de natalidade. Prova disso é a participação dos idosos com 75 anos ou mais no total da população - em 1991, eles eram 2,4 milhões (1,6%) e, em 2000, 3,6 milhões (2,1%).

A população brasileira vive, hoje, em média, de 68,6 anos, 2,5 anos a mais do que no início da década de 1990. Estima-se que em 2020 a população com mais de 60 anos no País deva chegar a 30 milhões de pessoas, representando 13% do total, e a esperança de vida, há 70,3 anos.

E para mostrar que a idade nem sempre representa alguma coisa, diferentes mulheres falam a Femme sobre as mudanças e de como aproveitar a vida.

Aos 76 anos de idade, Lourdes Torniziello Pansani faz tudo aquilo que tem vontade. “Antes eu não tinha tempo pra nada, cuidava da casa dos seis filhos, agora tenho tempo pra mim, e vou em busca daquilo que gosto de fazer”, conta.

Lourdes não para de enriquecer o seu currículo, a ultima investida foi no curso de informática. “Comecei por curiosidade, mas gostei de mexer no computador, tenho que estar atualizada, acompanhar a modernização”, fala.

Para a irmã de Lourdes, Maria Antonieta Torniziello Carvalho de 67 anos, a musica sempre foi um sonho e por isso começou a tocar cavaquinho. “Sempre tive paixão pela musica, mas antes não tinha tempo já que cuidar da família era prioridade, e agora posso me dedicar às aulas musica”, revela.

Atividades que antes não faziam parte da rotina, agora passou a ser uma grande gratificação para Maria Dalva Seco Pinheiro de 65 anos. Ela está engajada em trabalhos voluntários. “Nunca pensei que minha agenda estaria cheia, agora dedico o meu tempo para cuidar de mim e das pessoas mais necessitadas, por isso uma vez por semana faço visitas no asilo e na favela, para ver como anda as coisas”, informa.

As três fazem parte do mesmo ciclo de amizades e sempre estão fazendo excursões, vagens e reuniões. “Temos mais tempo para cultivar e aproveitar as amizades”, diz Maria Dalva. “Damos boas risadas quando estamos juntas”, fala Lourdes. “É uma época que você aprende a aproveitar mais a vida”, comenta Maria Antonieta.

O esporte

Todas buscaram uma modalidade esportiva para praticar e manter uma saúde impecável. E foi o que fez Doralice Vieira de Lima Gomes de 53 anos. Hoje Dorinha (como é conhecida) faz parte do grupo de vôlei da 3ª idade de Campinas, a Fênix. “Nunca tinha pensado em jogar vôlei, mas um amigo falou e fui conhecer e estou aqui há cinco anos”, revela.

A equipe treina todas as terças e quintas das 8:00h as 10:00h. “Se fico uma semana sem vir sinto falta”, diz Dorinha que tem disposição pra dar e vender, já que além do vôlei ela faz dança de salão, tango, basquete e musculação. “Não gosto de ficar parada, sempre fui muito ativa e agora que tenho tempo de me cuidar, pratico esporte que é o que meda prazer”, completa.

Segundo a técnica, Adriana Gérmen de Lima Montagner, fazem parte do grupo 35 pessoas entre mulheres e homens acima dos 50 anos. Todo ano eles participam do Campeonato da Cidade de Campinas, além do regional. “Esse ano fomos classificados para os jogos abertos”, informa.

Realização de um sonho

Para comemorar o seu 60º aniversário, Maria Madalena Fiorin Thomeo saltou de pára-quedas. “Era um sonho antigo, sempre quis estar nas alturas, como aeromoça, piloto, mas a vida me levou pra outro caminho e tive que esperar”, conta.

A família já havia sido avisada, mas ninguém pensava que ela teria coragem. “Desde meus 59 anos, vinha falando que iria saltar, mas ninguém levou a serio, convidei algumas amigas e falaram que ia, mas quando marquei o salto todas deram desculpas”, revela. Foi ai que ela teve a idéia de enviar um e-mail para a apresentadora Ana Maria Braga, do Mais Você da rede Globo de televisão. “Achei que não ia dar certo, mas no fim ela leu o meu e-mail e se interessou tanto que mandou a equipe dela me acompanhar no dia”.

A aventura contagio Maria Madalena que pretende fazer o curso para saltar sozinha da próxima vez. “E para comemorar os meus 70 anos vou querer participar de uma formação no céu”, finaliza.

A emoção de estar nas alturas se tornou exemplo para muitas pessoas. “Depois que foi ao ar na TV o meu salto recebi muitos e-mails, falando que eu era um exemplo, que incentivei e passei esperança para algumas pessoas, fiquei muito feliz com isso. Mostrei que independente da idade tudo que agente quer agente pode”, finaliza Maria Madalena.

Eles são importantes

A importância dos idosos para o País não se resume à sua crescente participação no total da população. Boa parte dos idosos hoje são chefes de família e nessas famílias a renda média é superior àquelas chefiadas por adultos não-idosos. Segundo o Censo 2000, 62,4% dos idosos e 37,6% das idosas são chefes de família, somando 8,9 milhões de pessoas.

Por isso uma das preocupações dos especialistas que lidam com a terceira idade é criar opções para maiores de 60 anos.

O Estatuto

Em 1º de outubro de 2003, foi criado o Estatuto do Idoso perante a Lei n° 10.741, onde o idoso tem atendimento preferencial no Sistema Único de Saúde (SUS). A distribuição de remédios aos idosos, principalmente os de uso continuado (hipertensão, diabetes etc.), deve ser gratuita, assim como a de próteses e órteses. Os planos de saúde não podem reajustar as mensalidades de acordo com o critério da idade.

Os maiores de 65 anos têm direito ao transporte coletivo público gratuito. A carteira de identidade é o comprovante exigido.

Nenhum idoso poderá ser objeto de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão. Quem discriminar o idoso pode ser condenado e a pena varia de seis meses a um ano de reclusão, além de multa. Todo idoso tem direito a 50% de desconto em atividades de cultura, esporte e lazer.

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