Reposição Hormonal
Renata Giovanelli
Quando a mulher pára de menstruar, seu organismo deixa de produzir os hormônios femininos chamados estrogênio e progesterona. Isso causa diversas alterações e reações físicas e emocionais, como calor, pouca lubrificação vaginal, enfraquecimento dos ossos, aumento da quantidade de colesterol no sangue, concentração de gordura na região abdominal, alteração de humor e irritação.
Embora a faixa de idade varie de acordo com as características de cada mulher, a menopausa ocorre geralmente após os 42 anos e apenas é estabelecida quando a mulher deixa de menstruar durante um período contínuo de um ano. Durante esses 12 meses de transição, a mulher passa pelo chamado climatério, que é a fase onde a produção de hormônios começa a diminuir.
A polêmica
Para reduzir os efeitos da menopausa, especialistas começaram a desenvolver diferentes terapias de reposição hormonal, baseadas na prescrição de hormônios sintéticos que substituem a progesterona e o estrogênio.
Mas embora a reposição hormonal esteja ganhando cada vez mais adeptas, pesquisadores também alertam para os riscos desta terapia. Em abril 2002, por exemplo, foi publicado um estudo feito com mais de 16 mil mulheres, entre 50 e 79 anos, pela Women's Health Iniciative (EUA), mostrando que a combinação de remédios utilizados na reposição hormonal aumentam consideravelmente as incidências de derrame (41%), ataques cardíacos (29%) e câncer de mama (26%) nas mulheres que utilizam o tratamento. “Essa pesquisa alertou a classe médica. Mas ela veio para ajudar e mostrar que não é toda mulher que pode fazer a reposição hormonal e que o tratamento é individualizado”, explica o ginecologista Dr. Roberto César Forte.
Indicação do tratamento
Para saber se a mulher pode fazer a reposição hormonal, o médico ginecologista, além do exame clínico e análise da mamografia, pede à paciente que faça um exame de sangue para verificação de sua dosagem de hormônio, além de verificar os sintomas. A partir desses dados, indicará o tratamento mais adequado de reposição hormonal. “Primeiro é preciso avaliar a massa óssea da paciente para verificar sua tendência à osteoporose; depois, considerar seus anseios e metas de vida que poderão ser prejudicados pela privação de estrogênio, se tem ou não atividade sexual e, finalmente, se tem ou não útero. Esses dados ajudam a balizar a necessidade de reposição hormonal e, caso ela exista, se devemos combinar estrogênio com progesterona ou só administrar estrogênio”, revela Dr. Roberto.
Na opção de realizar o tratamento, ele pode ser feito de diferentes formas: via oral, por adesivos grudados na pele ou até por spray nasal. E conforme explicado pelo médico, os resultados variam de paciente para paciente.
A recepcionista Rosana Maria Vera Santos aprova o tratamento e garante que nunca teve problemas com a reposição hormonal. “Já tomo há seis anos os comprimidos, e me sinto ótima, jamais tive nenhum tipo de problema com os hormonais sintéticos”, afirma ela, que freqüentemente faz o acompanhamento médico.
Porém, Dr. Forte lembra que, quando a mulher não tem útero, a reposição hormonal pode ser feita somente com o estrogênio. “Não é necessária a combinação dos dois hormônios, já que a mulher não possui mais o útero. Essa terapia não foi condenada pelo estudo americano, que foi realizado com uma dose e hormônios específicos”, informa o ginecologista.
A dona de casa Matilde Vicente Pinto, que há 12 anos teve que retirar o útero e os ovários, começou a fazer a reposição hormonal pelo adesivo, mas não se sentia bem. “Tinha insônia, agitação e vivia com dores de cabeça. Sem falar que desenvolvi uma alergia no local do adesivo e tive que suspender seu uso”, revela. Mesmo assim, Matilde trocou de método e começou a tomar os comprimidos, que não atrapalharam no bem-estar, mas interferiram em outro aspecto. “Com o comprimido passei a me sentir bem, mas meu cabelo começou a cair e a médica decidiu suspender o tratamento imediatamente”, conta a dona-de-casa, que hoje aprendeu a conviver com os sintomas da menopausa.
Antecedentes
Pra quem já teve caso de câncer na família, principalmente o de mama, a reposição hormonal é contra-indicada. “Uma paciente de alto risco para câncer de mama não pode receber a reposição hormonal clássica. Por isso, existem outros meios de diminuir os sintomas da menopausa. Acredito que será desenvolvida uma terapia de reposição hormonal direcionada a receptores específicos e com menores efeitos colaterais. Ela visará prevenir o desconforto causado pelos sintomas da menopausa e dará proteção contra algumas doenças, como o câncer de mama, por exemplo”, informa Dr. Roberto.
Soja
Muitas mulheres que faziam reposição hormonal, quando tomaram conhecimento do estudo americano, suspenderam o tratamento e optaram pelo uso de estrógenos naturais derivados da soja. Mas ainda não há estudos comprovando que os estrógenos naturais, ou isoflavonas, não possam provocar os efeitos colaterais produzidos pelo estrógeno medicamentoso.
Foi o que ocorreu com a técnica de enfermagem Maria Isidora Flaibam, que fazia reposição hormonal antes de saber da pesquisa e depois por opção própria resolveu parar com o tratamento. “Fiquei com medo, a reposição é uma faca de dois gumes. Resolvi suspender a reposição e conviver com os efeitos da menopausa”, diz.
O estilo de vida também contribui para minimizar os efeitos do climatério. “Sabemos que as mulheres orientais ingerem soja diariamente e têm uma menopausa mais tranqüila, com menos sintomas desagradáveis e menor incidência de câncer de mama. No entanto, é preciso registrar que elas recebem outro tipo de orientação religiosa e psíquica”, ressalta Dr. Roberto.
Segundo ele, a prática de esportes pode ajudar a minimizar os efeitos da menopausa, principalmente os esportes aeróbicos de impacto, como o andar “trotando” (quase uma corridinha), porque favorecem o aumento da massa óssea e ajudam a melhorar a auto-estima. Deve-se reduzir a ingestão de calorias e aumentar a de frutas, legumes e cálcio visando a reposição adequada de massa óssea. “Recomendo também que as mulheres participem de movimentos sociais e alarguem seu círculo de relacionamentos. São mudanças simples no estilo de vida que podem beneficiar quem não quer fazer a reposição hormonal com remédios”, finaliza.
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