Friday, September 22, 2006

Revista Femme nº05

Bruxas do século XXI

Bruxas modernas que executam a magia das tradições religiosas para o bem

Por Renata Giovanelli

Nada de roupa preta, gato preto, caldeirão, vassouras e chapéus pontudos as bruxas são pessoas comuns, tem trabalhos normais e fazem coisas iguais a todo mundo. Buscam com sua devoção a Deusa (Natureza) um mundo melhor para todos. As bruxas de hoje são doces, serenas e alegres que levam a mensagem de força do feminino. Esse feminino cheio de mistério que esta dentro de cada mulher, é por isso que a maioria que segue essa religião são mulheres.
As bruxas foram perseguidas a vida toda e tornaram-se mal ditas até por suas qualidades. Elas têm o conhecimento e estudam herbologia, astrologia, biologia, hermetismo, horticultura e cultua as forças da natureza e exercita plenamente o atributo feminino da intuição.

Com a casa as bruxas elas foram se escondendo, os rituais ficaram restritos as cerimônias secretas, envoltas em mistérios, fantasia e preconceito e ainda hoje esses encontro são olhados com desconfiança e medo. Há rituais coletivos com roupas especiais e lista de matéria. È uma celebração. Mas as bruxas não precisam de muita coisa para realizar os seus feitiços, já que o que vale é a intenção que colocam em tudo que vão realizar. A bruxaria é a religião da liberdade e da responsabilidade, pois o que se faz para o outro, volta três vezes mais para você.

Apesar de não serem mais perseguidas, as bruxas de hoje preferem a intimidade para reverenciar a Deusa. Elas acreditam em símbolos e amuletos, mexem com energia e é por isso são solitárias, pois precisam de muita introspecção. É na intimidade de suas casas que elas oram, meditam, preparam poções e cuidam do planeta.

Para a professora Mônica Fernandes Lucarelli o interesse pela bruxaria surgiu devido a sua idéia a respeito de religião e da natureza. “Desde menina eu sempre tive idéias muito particulares a respeito de Religião e da Natureza, sempre houve uma conexão que, no meu entender, era sagrada entre as coisas divinas e as coisas, digamos assim, terrenas. Foi muito engraçado quando li o primeiro texto sobre Bruxaria e descobri que existia uma Religião que "pensava" exatamente da mesma forma que eu sentia e pensava o sagrado, foi como um reencontro e daí pra frente não houve maneira de tirar a Bruxaria da minha vida”, revela Mônica, que teve sua auto-iniciação aos 18 anos na tradição Wincca em 1997.

Já para a astróloga, dançarina estudiosa do assunto Magda de Mariolani, o interesse surgiu aos 15 anos. “Sempre tive curiosidade sobre o assunto, e a astrologia veio primeiro e em 1991 teve contato com a dança sagrada e a partir daí não parei mais, resolvi me aprofundar nas mitologias antigas”, conta.

A principal diferença está no olhar de uma Bruxa, na maneira como ela vê as coisas. “Um dia de chuva pra mim é lindo, um presente, se faz sol também, coisas que a maioria das pessoas nem reparam, para nós são presentes sagrados, manifestações da Deusa. Nós olhamos e vemos a Deusa em todas as coisas, lugares e acontecimentos, mesmo os que as pessoas consideram ruins, nós entendemos como sendo à vontade e a expressão Dela”, informa Mônica.

Segundo a professora isso não quer dizer que aceitem tudo passivamente. “Nós lutamos para melhorar as coisas que achamos que não estão bem do jeito que estão porque reconhecemos a divindade em nós, fazemos parte da teia da vida e nossas atitudes fazem vibrar todos os fios, e isso é algo que reflete em nossas atitudes no dia a dia, em todos os momentos”, finaliza.

Paganismo

Segundo os praticantes do paganismo, ele é mal compreendido. “Acredito que o que mais contribui para que seja uma Religião tão mal compreendida seja justamente o fato de não ser cristã, de ser politeísta e panteísta (que reconhece o sagrado na Natureza, animais, pedras, enfim, em todas as coisas). Muitos mitos se criaram e se perpetuaram dizendo que a Bruxaria é coisa do demônio, que pratica rituais de sangue e coisas assim. Muita falta de informação de um lado e muita intolerância de outro”, revela Mônica.

A Bruxaria tem, de fato, conceitos e alguns valores bastante diversos do cristianismo, eles não acreditam no demônio, cultuam a natureza, o sagrado feminino e se preocupam com o bem do planeta e das pessoas. “Essas diferenças resultaram num comportamento profundamente etnocêntrico a respeito da nossa Religião e esse comportamento foi cada vez mais intensificado historicamente, começando pela inquisição e chegando até o ponto em que estamos hoje, em que muitos adolescentes desinformados colocam um pentagrama no pescoço e saem se dizendo Bruxos com a clara intenção de chocar as pessoas”, comenta Mônica.O que faz uma bruxa?

Além de seguir a Roda do Ano, fazem os rituais, feitiços segundo sua Tradição e necessidades, lêem e estudam muito e usam efetivamente o que aprendem sobre as ervas, astrologia, oráculos, etc. A finalidade primordial da Bruxaria é estar em harmonia com a Natureza e com as energias divinas contidas nela. E a melhor forma de alcançar esta harmonia é a observação dos ciclos naturais. É para isso que servem os Esbats - nome de cada uma das reuniões (ou celebrações solitárias) mensais, no primeiro dia da Lua Cheia ou da Lua Nova de cada mês. Nestas datas são celebrados os ciclos lunares; a finalidade básica dos Esbats é a celebração os ciclos da Deusa, em seus três aspectos: Donzela, Mãe e Anciã (Crescente, cheia e Minguante). Além disso, são épocas propícias para as reuniões, a editação e o estudo e Sabbats - denominação de cada um dos 8 grandes festivais solares que acontecem anualmente e que marcam a Roda do Ano das Bruxas.

As Bruxas tem as atividades mais variadas, muitas se interessam por arte, política, muitas são ativistas dos direitos femininos, dos animais, do ambiente. “Cada uma é única, não há uma regra ou um padrão além de se dedicar a servir a Deusa e praticar sua religião da melhor forma possível”, informa Mônica.

Como funciona

Segundo Magda, na Bruxaria não existem leigos ou fiéis todos os praticantes são iniciados, portanto Sacerdotes e Sacerdotisas, não existe nenhum "mediador" entre os praticantes e a divindade. Eles acreditam e cultuam uma Deusa e um Deus, portanto uma religião voltada para o Sagrado Feminino. Em algumas Tradições, embora reconheçam o Deus, cultuam apenas a Deusa. “É uma Religião muito profunda que requer muito estudo em diversas áreas como ervas, astrologia, oráculos, mitologia, etc”, finaliza.


O SAGRADO FEMININO NOS TEATROS – AS LUNAÇÕES

A busca pela espiritualidade na natureza, pelo divino e sagrado, a “deusa” volta a fornecer as bases da evolução espiritual e sentido da vida para muitas pessoas. O crescente movimento dentro da psicologia transpessoal e junguiana, seja pelos livros de bruxaria, psicologia, romances sobre o assunto, publicações ou até espetáculos de teatro, culto à deusa ganha notória expressão em nossa sociedade.

Após a experiência bem sucedida de “No tempo dos faraós” em 1996, a coreógrafa e dançarina Magda de Mariolani, vislumbrou as possibilidades que uma dança milenar teria nos palcos, criando em 2003 “Lunações, o feminino sagrada”, espetáculo que explora as relações entre a vida na terra e os fenômenos celestes, refletindo a antiga ligação que os pagãos tinham com as fases lunares. “Lunação é o espaço decorrente entre uma lua nova e a lua nova seguinte. Em cultos pagãos, essa medida de tempo revelava o próprio fluir da vida”, revela Magda.

Curiosidades

Origem da palavra

Bruxa em inglês é "witch", palavra derivada de "wicce" (aquele que sabe) e "wikken" (adivinhar). Elas eram conhecidas pela sua sabedoria em curar doenças, em realizar partos e seu conhecimento nas ervas. Só entre os séculos 13 e 19 é que elas passaram a ser consideradas maldosas e foram duramente perseguidas na Europa.

Na década de 1940, elas voltaram a se reunir e fundaram uma religião chamada Wicca, ou "religião das bruxas", que existe até hoje.

Dia das Bruxas

Comemorado há mais de dois mil anos o "Dia das Bruxas", nasceu entre os celtas, um povo que vivia na França, na Irlanda e na Escócia. Eles acreditavam que demônios, espíritos dos mortos e bruxas ficavam vagando na noite da virada de ano, que no calendário celta é comemorado no dia 31 de outubro para dia 1º de novembro.

A palavra “Halloween” tem a sua origem na igreja católica e vem da frase “All Hallows Eve” que significa Dia de Todos os Santos, uma reverência aos santos mortos.Ao longo do tempo, o medo que esse dia causava foi sendo esquecido e transformou-se numa brincadeira para as crianças. A tradição foi levada para os Estados Unidos por imigrantes irlandeses e popularizou-se no final do século XIX, quando as crianças passaram a sair às ruas batendo de porta em porta e dizer “tricks or treats” (travessuras ou doçuras).

A origem

As pessoas nativas ao longo da Europa acreditavam em espíritos ou deuses, normalmente associados com a Terra, Sol, e Lua, e eles viam as suas vidas e as vidas dos deuses como possuidoras de um padrão cíclico, seguindo o ciclo anual de estações. A parte final é típica dos povos nativos está em todos os lugares. Enquanto o povo vivia pela agricultura, caça e coleta, o conhecimento dos processos cíclicos tornou possível o controle das forças sazonais da Natureza. Assim, o desenvolvimento de uma religião na qual as estações eram reconhecidas e celebradas é bastante compreensível.

A maioria do conhecimento sobre bruxaria européia vem dos escritos de conquistadores cristãos e padres. Foram os cristãos que primeiramente deram o nome a pratica de ‘magia’ como ‘bruxaria’. Os cristãos suprimiram a religião nativa, em parte, adotando muitos dos seus rituais e costumes.

Considerando que a maioria das pessoas não sabiam e nem podiam ler e nem escrever, estas tradições orais passadas de geração em geração era o único meio para manter o conhecimento vivo. Sem registros escritos, sabe-se muito pouco destas tradições antigas. Os registros são distorcidos, tendo sido escritos por padres da Inquisição ou sidos tomados dos registros das Inquisições.

Os antropólogos supõem que as culturas primitivas dos tempos modernos têm uma semelhança de transcurso às culturas mortas do passado, e quase tudo tem alguma forma de bruxaria ou magia.

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