DOCES TRADICIONAIS
Com farinha ou arroz, as delícias japonesas ainda são pouco conhecidas no Brasil
Por Renata Giovanelli
Um sabor diferente do usual. Este é conceito dos doces tradicionais japoneses, que, apesar de não seguirem os padrões dos chocólatras, podem adoçar o paladar dos fãs do açúcar.
Existem dois tipos básicos de doces no Japão: a “Família Manju” (derivada da farinha) e a “Família Moti” (derivada do arroz), além do recheio de doce de feijão Azuke ou do feijão branco. Dentro de cada “família” há variações no preparo e na apresentação do doce. Entre os Manjus, por exemplo, o Yaki Manju, é assado, e o Inaka Manju deixa o recheio de doce de feijão aparecer, já que a camada da massa que o envolve é fina. O Fukashi Manju, cozido no vapor, é um pãozinho recheado com o doce de feijão, o An Pan que segundo o comerciante que trabalha com produtos japoneses é o mais vendido.O Fukashi Manju é cozido no vapor e era servido em missas para ajudar na limpeza da alma. Há também o An Pan, um pãozinho recheado com o doce de feijão, que é considerado um dos mais vendidos.
Na “Família Moti” existe o Shiro Moti (massa de arroz simples sem adição de nenhum outro produto), que os japoneses usam no final do ano para servi-la dentro da sopa. Essa tradição, chamada de “Ozoni”, atrai bons fluidos, saúde, paz e felicidade. Há também o An Moti (com açúcar na massa e recheio com doce de feijão) e o Hana Moti, que quer dizer “flor”, e difere do outro pelas cores em sua decoração. Já no Kinaki Moti é acrescentado de farinha de soja.
De acordo com o comerciante Paulo Ishii, antigamente no Japão ao olhar para o doce já dava para saber se quem o tinha feito era mestre ou não. “Se fosse possível ver o recheio, o doce havia sido confeccionado por alguém inexperiente, pois o bolinho perfeito era aquele que não deixava o recheio à mostra”, conta.
História
Os doces japoneses chegaram ao Brasil junto com a imigração (por volta de 1908), mas só foram industrializados há 30 anos. Diferente da culinária salgada, que virou moda e é muito apreciada no mundo todo, os doces ainda representam um mercado pequeno de consumo fora do Japão. “O sushi sofreu uma leve mudança para agradar ao paladar dos ocidentais, foram acrescentados mais sabores e temperos. Talvez essa seja uma alternativa para melhorar o mercado dos doces, fazendo algumas alterações de recheios, assim como no Japão, onde existem doces com recheios de pêssego e morango”, afirma Ishii.
A vantagem dos doces japoneses é que eles têm uma quantidade de açúcar menor e, portanto, é possível saborear mais de um. Além disso, o prato costuma ser acompanhado do chá verde, que possui função digestiva e é muito saudável.
PRESSÃO BAIXA
Como identificar e cuidar do problema
Por Renata Giovanelli
Na maioria das vezes em que uma pessoa apresenta sintomas que popularmente são interpretados como “pressão baixa”, o que ocorre na verdade não é a queda dos níveis de pressão sanguínea, mas uma soma de fatores como o cansaço físico, nervosismo, excesso de calor, fome e ambientes fechados que causam essa sensação de fadiga, tontura e vista turva.
Ter a pressão arterial baixa é uma das queixas mais freqüentes e, na grande maioria dos casos, é um sinal de boa saúde. Os médicos afirmam isso por saberem que os portadores de pressão arterial baixa costumam ser saudáveis, e provavelmente, terão vida longa. “A hipotensão arterial não é tão agressiva ao organismo, como a hipertensão, mais conhecida como pressão alta, mas não pode deixar de ser observada”, diz a cardiologista Dra. Maria Aparecida Lopes.
Segundo ela, em se tratando de pessoas adultas, pode-se considerar a pressão baixa quando os níveis da máxima estão abaixo de 90 mm Hg (ou 9 cm de g) como é calculado. “Há pessoas sadias que apresentam níveis até mais baixos e que, nem por isso, apresentam sintomas”, coloca. Para se ter uma média de pressão ideal, devem ser considerados, além da idade, a altura e o peso da pessoa.
Em algumas situações de doenças mais graves, podem ocorrer quedas de pressão significativas que provocam manifestações, inclusive a morte. A situação de pressão baixa mais grave é denominada choque, que acontece quando a pressão do sangue nas artérias é insuficiente para manter a irrigação dos tecidos.
Uma das causas mais freqüentes de diminuição da pressão arterial é denominada de hipotensão postural, que ocorre quando as pessoas, ao mudarem subitamente a posição do corpo, sentem tonturas ou a visão turva, sensação que passa em alguns segundos. “É o que acontece quando alguém, depois de estar durante muito tempo agachado, ao levantar-se subitamente, sente-te tonto e a visão escurece, chegando a oscilar o corpo ou mesmo a cair, todavia isso nem sempre significa doença, isso ocorre principalmente em pessoas não condicionadas fisicamente”, conta a Dra. Maria Aparecida.
A maioria das pessoas que afirma ou acredita ter a pressão baixa costuma fazê-lo por se sentir cansada, adinâmica, sem vontade para agir e sonolenta. “Estas manifestações são provavelmente sintomas de depressão”, afirma a médica. Segundo ela, isso ocorre porque os pacientes não entenderam informações do médico, “depressão e queda de pressão são coisas diferentes, nem sempre bem explicadas aos que consultam por estes sintomas”, informa.
As pessoas que apresentam sintomas depressivos, assim como as que têm quedas de pressão transitórias, provocadas por mudanças de posição corporal, é recomendado a prática regular de exercícios físicos, além de acompanhamento médico.
ASAKUSA:
O MAIOR CARNAVAL DO MUNDO FORA DO BRASIL
Por Renata Giovanelli
Não faz muito tempo que no Brasil usavam a expressão “Tem japonês no samba!”, significando que o ritmo desafinou. Hoje, no Japão, os sambistas dizem “Tem alemão no samba!”. As expressões podem ser consideradas injustas, já que o Japão e Alemanha são os dois países que mais homenageiam o povo brasileiro através do Carnaval. Quem comprova isso é o site “Wolrd Samba Homepage” que mostra a lista dos países que realizam o carnaval fora do Brasil. O resultado é muito interessante e mostra que a maior comunidade japonesa fora do Japão fica no Brasil, enquanto que o maior Carnaval fora do nosso país é o do Japão.
O Carnaval de Asakusa teve início em 1980 com o pré-Asakusa Samba Carnival e, em 1981, teve a sua primeira edição. O desfile acontece anualmente em setembro nas ruas de Asakusa, em Tóquio, atraindo cerca de 500 mil expectadores. Cerca de 30 a 40 escolas samba desfilam e competem ao título e elas são divididas em três ligas. A principal, que é profissional, conta com componentes experientes em suas alas. Nas demais ligas as escolas e seus componentes são amadores, sem muita técnica, apenas gostam de participar.
A escola de maior destaque é a G.R.E.S. Bárbaros que ganhou 15 vezes nas 24 edições do carnaval de Asakusa, sendo que, até 1999, a escola havia vencido por sete vezes consecutivas. Ela conta com 80 membros na bateria e cerca de 150 dançarinas, que se reúnem de duas a quatro vezes por mês nos domingos à tarde para tocar e sambar.
A primeira escola de samba fundada por um brasileiro na Ásia é a “Escola de Samba Cruzeiro do Sul”, que nasceu em 1984. O presidente, Francis Silva, criou o clube nomeado de Praça 11 em 1999, onde as pessoas podem ir e aprender o samba e outros estilos como o pagode e o chorinho.
Intercâmbio Brasil X Japão
Já ocorreram várias trocas de conhecimentos entre as escolas de samba do Brasil e do Japão. Desde de 1997, o Grêmio Recreativo da Escola de Samba Saúde, o Yokohamangueira, faz intercâmbio com a Mangueira no Rio de Janeiro para aperfeiçoar os dotes de seus 300 componentes. Essa troca começou após uma brincadeira entre Pelé e o pesquisador japonês de línguas neolatinas Keisuke Sakuma. Durante uma visita ao Japão, Pelé desafiou o acadêmico a trazer japoneses ao Brasil para prender a sambar. O trato foi cumprido e cerca de 100 integrantes da Saúde já foram ao Rio.
São Paulo também não fica para trás. Sem falar que é a cidade com maior a colônia fora do Japão. Em 1998, a imigração japonesa comemorava 90 anos, com isso o Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba Vai-Vai, uma das mais antigas escolas da cidade, escolheu como enredo uma homenagem à integração entre Brasil e Japão, destacando os principais aspectos da cultura japonesa e a troca de valores que se mantém entre os dois países. E acabou levando o título naquele ano.
Outras escolas de São Paulo também apresentam esse intercâmbio. A X9 Paulistana, por exemplo, tem como “Miss Simpatia” uma sambista japonesa. Segundo Alexandre Tsurumaru, coordenador da ala Uni Santa da escola, a japonesa vem todo ano. “Ela não perde um carnaval se quer, e não faz feio na avenida, pelo contrário, sua performance é ótima e ela sai na frente da bateria”, comenta.
Nikkeys no carnaval brasileiro
Não é de hoje que descendentes de japoneses se jogam no samba, no carnaval. Sem falar dos que vem do Japão para desfilar no carnaval carioca e paulista.
O coordenador de uma das alas do Grêmio Recreativo Escola de Samba (GRES) X-9 Paulistana, Alexandre Tsurumaru, que há 15 anos se dedica ao carnaval, conta que este ano a ala Uni Santa vai contar com mais de 20 descendentes para o desfile.
Alexandre começou a desfilar desde jovem e hoje, além de coordenar, ele também faz penas artificiais para as fantasias. “Desde pequeno eu sempre gostei de carnaval, mas foi aos 18 que comecei a participar diretamente e não saí mais”, conta.
Segundo ele, a coordenação é um trabalho muito gratificante. “Você se envolve o ano todo com o desenvolvimento, a criação, e quando chega o desfile você tem a sensação de trabalho concluído”, comenta.
A professora de dança Kátia Maymi Itami, de 28 anos, também é apaixonada pelo carnaval. Há quatro anos ela é a coreógrafa da comissão de frente do G.R.E.S Arco Íris de Valinhos. O interesse pelo samba surgiu através do trabalho no Country Club. “Tive contato com alguns organizadores da escola, e eles me convidaram para participar e desde então continua lá” conta.
Kátia, que já foi destaque da escola, conta que o carinho do publico no momento do desfile é muito bom. “O contato com as pessoas é gratificante e prazeroso, sem falar de ter meu trabalho reconhecido, o que me rendeu mais convites como coreógrafa” finaliza.
DESAFIANDO AS LEIS NATURAIS
A asa-delta é um dos grandes atrativos para quem busca emoção
Por Renata Giovanelli
Aventura e emoção são duas palavras que não podem faltar no vocabulário dos amantes de asa-delta. Embora seja famoso em todo o mundo, o vôo livre não é um esporte sem riscos. Pelo contrário, se os procedimentos necessários não forem executados, ele pode ser muito perigoso, causando ferimentos graves ou fatais. De acordo com a Associação Brasileira de Vôo Livre, é importante que o piloto tenha experiência suficiente para o tipo de vôo que pretende fazer, que todos os equipamentos de segurança estejam de acordo com as especificações (inclusive o peso) e que o clima esteja propício para o vôo.
Segundo o piloto campineiro Shigueru Hirose, conhecido como Akira, os acidentes não acontecem por um único fator, e sim pela somatória de vários. “Essa pratica exige um domínio perfeito de um grande numero de conhecimentos, bem como dos seus próprios reflexos. O medo também é um forte aliado, pois quando ele acaba você tem que parar, senão morre”, afirma.
Praticante do vôo livre há 12 anos, Akira é um verdadeiro apaixonado por esportes radicais. Aos 47 anos e duas vezes vice-campeão paulista (em 1996 e 2004), ele conta que escolheu a asa-delta por ser uma atividade que não exige tanto condicionamento físico, além de ser individual. “É um esporte onde não dependo de ninguém, só de mim mesmo, podendo praticar quando der vontade”, explica. “Entrei para me divertir, mas percebi que não estou tão mau assim e vou continuar até quando der para participar”, declara Hirose, que se prepara para o Campeonato Paulista deste ano.
Emoção
O vôo livre vem sendo praticado no Brasil desde a década de 1970, quando o piloto carioca Luiz Cláudio Mattos decidiu seguir amigos estrangeiros e passou a saltar de alguns picos no Rio de Janeiro. Em novembro de 1975, foi realizado o 1° Campeonato Brasileiro de Vôo Livre e o número de adeptos não parou de crescer. Hoje, cerca de 2.500 pessoas praticam a atividade por todo o Brasil.
Ao contrário da maioria das atividades radicais, que proporcionam adrenalina na descida – como o paraquedismo, o bungee jumping e o sky dive – a asa delta proporciona adrenalina na subida, onde o desafio é ficar bem perto do céu. Um vôo pode demorar de 10 minutos a uma hora e chegar a três mil metros de altura.
Antes de começar a praticar vôo livre, os participantes devem fazer um curso que envolve tanto a parte teórica como a prática. “Sem esse aprendizado a pessoa não pode saltar, são regras de segurança que protegem o praticante”, afirma Marco Arruda, que há 10 anos dá o curso na Academia de Vôo Livre de Atibaia, interior de São Paulo. Arruda explica que os interessados em vôo livre que não querem fazer o curso podem utilizar o vôo duplo, onde o instrutor leva uma pessoa de “carona”. “É um vôo tranqüilo onde você sente uma liberdade e um contato com a natureza muito grande”, conta. No Brasil, a Pedra Grande em Atibaia (SP), o Pico do Gavião em Andradas (MG) e a Extrema (MG), estão entre as plataformas mais cotadas. Cada lugar oferece uma natureza diferente e muito bonita para ser apreciada.
Para fazer vôo duplo da Pedra Grande em Atibaia, a 1.300 metros acima do nível do mar, basta entrar em contato com a Academia de Vôo Livre de Atibaia, pelo telefone: (11) 4411-7619 ou (11) 9563-8791. mais informações no site: www.avla.com.br
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